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Mark Occhilupo. Se trabalhasse em Hollywood nunca passaria de actor secundário em filmes série B. Com uma cara daquelas, de sorriso em que o maxilar inferior parece sobrepor-se (ou subpor-se para ser mais preciso) ao superior, um corpo baixo e maciço como um pugilista...nunca seria estrela.
E é curioso que no mundo do surf profissional, Occy destoa das estrelas, dos Slaters, dos Irons, dos Currens, dos Carrols, tanto como um buldogue numa corrida de galgos.
Admiro Occy. O homem ainda surfa como no tempo em que o surf era de linhas definidas, rasgadas, violentas, como pinceladas furiosas de um artista maldito (Não me esqueço de Fanning, mas é diferente...). Do tempo em que os surfistas gozavam com os saltos do bodyboard e mantinham-se irredutíveis na sua linha.
(Agora tentam imitar as manobras aéreas do Bodyboard e continuam a gozar. Não percebo, mas isso é outra história)
O homem teve glória, teve queda, teve doença, álcool, drogas, e glória novamente, com títulos e tudo. Não que os artistas, os heróis, precisem de títulos, mas os "outros" acham piada.
Occy é um touro, um ídolo com pés de barro. Do mesmo barro de que Adão foi moldado (Na verdade acho que foi feito de areia molhada e sal, mas enfim...) Occy é humano e vai retirar-se. Diz que não compete mais, que acabaram os tempos de circo deste palhaço trágico. Temperamental, violento, benigno. Como o mar.
Daqui a uns tempos o Slater também se vai embora. É pena. Mas vou ter saudades mesmo é do Occy. É que Slater é perfeito e Occy... Occy é de areia molhada e sal. Como os homens.
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